Artigos de Opinião
09/08/2004
Hotelaria Aposta na Competência

É necessário elevar os níveis de competência e formação. Esta foi a principal conclusão do congresso subordinado ao tema «Selecção, Recrutamento e Gestão de Carreiras: factores críticos de sucesso» que teve lugar no dia 15 de Maio, na Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril.

Com um painel de personalidades ligadas à selecção e recrutamento na indústria hoteleira, o evento teve como objectivo a apresentação geral das empresas, com especial incidência nos seus projectos de formação. «Para a nova economia precisamos de pessoas qualificadas», afirmou Ana Isabel Santos, responsável pela formação na Enatur – Pousadas de Portugal. Com 44 unidades espalhadas de norte a sul do país, a Enatur conta com cerca de 1300 colaboradores, o que acarreta uma grande responsabilidade e necessidade de dinamização. «Acreditamos no desarrumar metódico para não estagnar», defendeu a responsável.

Por outro lado, o director de recursos humanos do Hotel Ritz/Four Seasons, Rui Fialho, salientou a importância do programa «the next step» (o próximo passo) para indicar a necessidade de «atribuir metas para orientar o empregado na organização da sua carreira». Gabriela Carvalho, presidente do Sindicato de Guias e Intérpretes, acredita na «formação contínua e permanente» como factor de sucesso na profissão de guia. «A leitura deve ser um hábito quotidiano assim como a preparação», tendo em conta que «a experiência é que lhes dá o saber», concluiu. Para as várias marcas que representam (desde franchising do KFC, Pans & Co ou Pizza Hut, até às marcas próprias, como a Pasta Café ou Só Kilo), o grupo Ibersol dá importância a factores como a auto-confiança, flexibilidade e identificação com a empresa. Nesse sentido, apostam numa formação específica para, «através de projectos de equipa que saem da rotina», optimizarem as competências dos seus colaboradores.

Outro tópico abordado foi o recrutamento. Para Manuela Marques, responsável do grupo Ibersol, o perfil maioritário dos candidatos são jovens estudantes em regime de part-time, na certeza de que «quando acabam a sua licenciatura ou bacharelato, estão melhor preparados». Por outro lado, Gabriela Carvalho considera que o recrutamento na sua área «é muito sui generis»: os candidatos quando terminam o curso de três anos «percorrem as ruas das cidades e vão entregando os seus cartões nas agências de viagens, fazendo uma breve apresentação». Por sua vez, a Enatur tem como objectivo encontrar pessoas que desejam trabalhar no grupo, na procura incessante «do empregado certo para o lugar incerto». O candidato deve possuir «um agregado de competências que lhe permitam desempenhar com mais valia aquele trabalho», salientou Ana Isabel Santos.

A questão salarial também foi alvo de discussão, muito por insistência dos congressistas que aproveitaram a sessão de debate para colocar algumas questões. Manuela Marques exemplificou o nível salarial da empresa que representa, referindo que um assistente de direcção de um restaurante tem um vencimento base entre os 130 os 150 mil escudos, e que o salário de um director de restaurante pode atingir os 400 mil escudos. A representante da Enatur, Ana Isabel Santos, lembrou que os salários «são pautados por tabelas» e deu relevância à política de promoções (por mérito ou automáticas). Gabriela Carvalho remeteu o tópico para a tabela de honorários que pode ser consultada no Sindicato, e acrescentou que «nenhum guia pode ganhar menos que o mínimo estabelecido na tabela». No sentido de oferecer uma panorâmica geral da política salarial do Ritz/Four Seasons, Rui Fialho afiançou que «o salário mínimo é de 119.600 mil escudos».

Houve ainda tempo para algumas vozes discordantes entre a assistência, que demonstraram a sua desilusão sobre a realidade do mercado de trabalho, questionando a aplicabilidade dos tópicos abordados. Os intervenientes admitiram que «nenhuma empresa é um ecossistema perfeito», e que existem aspectos que necessitam de ser aperfeiçoados.

in "Tiadro"
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