“Vida malvada, agitada, sem horas para fazer tudo o que está previsto na agenda. Um dia, o corpo fraqueja, o coração estoura e a cabeça já não consegue pensar. Viver em “alta voltagem” tem consequências arrasadoras. Procure encostar à berma e descansar. É o conselho que os especialistas repetem”.
O stress há muito que faz parte da realidade das organizações, e constitui-se como um “vírus” que inibe o potencial humano, o chamado “mindware” (optimização das capacidades de pensamento e de acção dos indivíduos nas organizações).
O stress é indutor de fortes disfuncionamentos e elevados custos nas organizações em geral e nos indivíduos em particular, de tal forma que em 1993 a OIT, classificou o stress como uma epidemia global, senão vejamos:
Existem estudos que concluem que 75% dos trabalhadores experimentam condições físicas ou mentais relacionadas com o stress.
No Japão o “Karoshi” (morte por excesso de trabalho) estima-se em cerca de 30.000 mortes por ano.
Interessa perceber quais as características das situações que nas organizações tenderão a gerar stress na maioria das pessoas e, portanto, a serem consideradas como fontes de stress. Assim o resultado de mais de 25 anos de investigação sobre o assunto resultam nas identificação das seguintes fontes de stress:
Características físicas do ambiente de trabalho
Poluição atmosférica ou sonora, temperatura, humidade, pressão atmosférica, design homem–máquina
Variáveis associadas ao tempo
Mudanças de fuso horário, prolongamento do horário normal de trabalho, o trabalho por turnos, as tarefas com prazos curtos.
Características organizacionais, sociais e enquadramento
A irracionalidade administrativa ou organizacional, os ritmos acelerados das máquinas, a sobrecarga de trabalho, a monotonia, a sobrecarga de responsabilidade, a ausência de participação, a falta de equidade nas recompensas salariais, a impossibilidade de progressão na carreira, as funções com elevado nível de complexidade, a ambiguidade quanto ao futuro da organização, a ausência de autonomia e as más relações de trabalho
Mudanças no trabalho
Iminência de despedimento ou demissão, mudanças qualitativas nas funções desempenhadas, o excesso de promoções, a perda de controlo, a mudança de padrões de funcionamento ou a ausência total de mudança
Papel desempenhado na organização
Papeis ambíguos que se tornam propícios ao conflito, papeis que não permitem a participação e se caracterizam por problemas de comunicação e / ou ausência de feedback.
Stress extra-trabalho
O stress sentido pelos indivíduos nem sempre tem origem na empresa onde trabalham. Pode tratar-se de crises familiares, conflitos sociais, acontecimentos de grande impacto na vida pessoal, como a morte de familiares, dívidas por pagar, ou o desempenho do papel de mãe/pai. Estas são algumas das fontes de stress que podem vir a manifestar-se na organização com um forte impacto nos custos visíveis e ocultos que esta suporta.
OS SINTOMAS DE STRESS
Nas diversas investigações efectuadas sobre os sintomas de stress, Holt, no seu livro “Handbook of Stress” apresenta as seguintes categorias:
Sintomas Físicos
Alterações no ritmo cardíaco e pressão arterial, problemas respiratórios, diminuição de eficácia do sistema imunológico, artrite, maior frequência de gripes e constipações, dores de costas e cabeça, dores musculares, úlceras, cansaço físico e esgotamento.
Sintomas Psicológicos
Insatisfação no trabalho, apatia, ansiedade, estados depressivos, irritabilidade, tensão, fadiga, insónias, pesadelos, dificuldade em tomar decisões, dificuldade em aceder ao potencial criativo, instabilidade emocional, lapsos de memória, dificuldade de concentração, alteração de humor e em casos mais graves pensamentos de suicídio e perturbações de personalidade.
Sintomas Comportamentais e Sociais
Maior tendência para o autoritarismo e punição, criticismo, mau relacionamento, aumento do consumo de álcool, tabaco e cafés, comportamentos antiprodutivos como: espalhar boatos, diminuir a produtividade propositadamente, aumento de numero de erros e acidentes de trabalho, absentismo, comportamentos violentos, grandes alterações no papel social como o conjugal, parental e societal.
Como Escapar ao Stress?
A Técnica ARR – Abrandar , Relaxar, Reflectir
As técnicas não são exactas mas acautelam os sintomas de agitação permanente. Se ainda não está na fase de “controlo: missão impossível” procure o equilíbrio. É importante desalegrar quando sentir que está a entrar na fase “red light”.
Pratique exercícios de relaxamento corporal: aeróbia, streching, taichi, ioga. Diminuem o ritmo cardíaco e a tensão muscular.
Utilize métodos de relaxamento mental: a meditação, acompanhada de uma respiração lenta e ritmada.
Deixe-se conduzir pela sua imaginação: evoque um lugar ou uma situação agradável, de modo a favorecer a descida de tensão.
Admita os erros e os fracassos: não se force a si próprio a obter sempre êxitos.
Aprenda a dizer NÃO, quando lhe exigem demasiado.
Adiante o despertador meia hora: a pressa é um factor desencadeador de stress.
Faça massagens regularmente: relaxam não só os músculos como o espirito
Nas organizações a gestão de stress com acção preventiva implica gestão de políticas de Recursos Humanos que minimizem o stress e os efeitos negativos que este origina na eficácia organizacional. Ou seja uma Gestão de Recursos Humanos eficaz é a melhor forma de gerir o stress e minimizar os sintomas e custos a ele inerentes.
Ana Isabel Santos,
in "Tiadro"