Artigos de Opinião
26/04/2004
Turismo, Motor da Economia

O Turismo constitui um fenómeno social e económico que, cada vez mais, se apresenta como um sector estratégico para o desenvolvimento nacional na atenuação das assimetrias regionais, ao permitir transformar os meios rurais em pólos geradores de postos de trabalho e de fixação demográfica, assumindo, nalguns casos, um papel determinante como factor de sustentação económica regional.

Urge, no entanto, compatibilizar o desenvolvimento turístico com a salvaguarda dos recursos, a preservação do património natural e cultural e o ordenamento do território. O desenvolvimento racional e equilibrado do Turismo é crucial para o nosso país, já que, tratando-se de um sector gerador de infra-estruturas, de equipamentos, de actividades, de bens e serviços transaccionáveis e de empregos, tem inequívocas repercussões na economia nacional.

Portugal é um destino turístico particularmente rico em recursos naturais (designadamente praias, clima e paisagem), recursos históricos, culturais e artísticos (como monumentos, museus e folclore) e com um crescente desenvolvimento de infra-estruturas (nomeadamente, equipamento hoteleiro, rede de transportes e comunicações).

Com efeito, este sector de actividade tem apresentado um crescimento significativo, para o qual contribuiu, de uma forma positiva, a realização da Expo98 no nosso país. De facto, a actividade das empresas que laboram nesta área de negócio está sujeita a uma forte concorrência, dada a crescente oferta existente no mercado. Assim sendo, as organizações respondem a este contexto altamente competitivo, focalizando a sua atenção na satisfação dos clientes, emergindo a qualidade do serviço ao cliente e a fidelização deste, como factores diferenciadores e competitivos. Com efeito, urge cada vez mais, melhorar a qualidade do Turismo através de recursos humanos qualificados e de um modelo de desenvolvimento que não incida apenas no crescimento quantitativo, mas sim qualitativo do sector.

Eventos como o Euro 2004 e o Rock in Rio (Outro), que constituem claras oportunidades de mercado, comprovam a importância do Turismo do ponto de vista social e económico, não só por induzir crescimento e desenvolvimento económico mas por promover o emprego, reforçar a posição geo-económica de Portugal no contexto europeu e mundial e aumentar a notoriedade do país.

Ao Estado compete apoiar os novos pólos turísticos emergentes nas diferentes regiões do país e assegurar o desenvolvimento do sector empresarial. A este cabe o papel de dinamização directa do Turismo, criando serviços e produtos que satisfaçam os requisitos da procura e que materializem os princípios da inovação e da competitividade.

A viabilidade e pertinência do RHTuris é a de facilitar o acesso a competências específicas ao sector do Turismo, através de uma interacção dinâmica entre a procura e a oferta de recursos humanos qualificados nesta área. Tal permite dar resposta à especificidade de saberes requeridos neste sector de actividade, dada a existência de perfis e know-how estratégicos, imprescindíveis à competitividade no sector.

Assiste-se, assim, à disponibilização de competências transversais, que contituem um denominador comum a um conjunto de profissões do sector turístico. Tal, possibilita a criação de um núcleo de aptidões distintas, que permite às empresas reconhecerem e munirem-se de competências estratégicas para suportar e orientar a sua competitividade.

Ana Sofia Santos
Socióloga